AsfaltoLTDA


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Y elas voltem a se codificar 

individual de Laryssa Machada [Laryssa Machada's solo exhibition]
15.11.2022__28.01.2023

︎Asfalto

 
Vista da exposição [view from the exhibition]
︎ luis menezes © Asfalto


A Confabulação Visual de Laryssa Machada

"Y elas voltem a se codificar" é o título da primeira exposição da artista visual, fotógrafa e filmmaker Laryssa Machada, que apresenta parte da sua produção mais recente. Nas imagens aqui exibidas é possível contemplar os predicados marcantes de sua poética, impregnada de textura, densidade, movimento, repleta de cores ardentes, elementos da natureza e dramaticidade.

A artista define o seu trabalho como uma fotografia ritual, onde elabora plasticamente a composição de linguagens, cenas - assentadas emcosmologias, espiritualidades e perspectivas indígenas e afro-diaspóricas. As apreciações críticas a respeito da sua produção tendem a considerá-la como fotoperformance. O que me parece não ser capaz de fixar a densidade do que Laryssa constrói, sobretudo porque a artista não interpreta um fato ou uma situação, ela confabula/fantasia. Por isso, sugiro o conceito de confabulação visual para definir a sua prática.

A confabulação é considerada um fenômeno cognitivo no qual a perda da memória é recompensada pela invenção de falsas memórias sem a intenção de iludir, ou ainda o “resultado da possibilidade de reformatação (artificial) de lembranças e esquecimentos.” O mesmo procedimento de inversão & subversão entre o real e a simulação - a história e a ficção - que Laryssa emprega em suas obras. Afinal, como ela mesmo cita, se a própria ideia de Brasil é uma criação do colonialismo, por que suas fotos são ficção? Nesse sentido, trata-se de “transformar as coisas, inventar outra realidade que não seja essa cartesiana, violenta e hierárquica.”

Neste processo de confabulação visual a artista restitui com encantamento, imagens e memórias que foram, propositalmente, retiradas e recalcadas de nós na constituição de uma ideia de país que se pretendia branco e europeu. Laryssa inscreve com a sua obra outros projetos de presente futuro empregando a fotografia, que ela mesmo nomeou poeticamente “como uma flecha de comunicação, de troca”, uma forma de atuar no mundo e “tornar visível o que já existe.”

Raquel Barreto
[curadora e pesquisadora]

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The Visual confabulation of Laryssa Machada

"Y elas voltem a se codificar [so they return to codify themselves]" is the title of the first exhibition by visual artist, photographer and filmmaker Laryssa Machada, which presents part of her most recent production. In the images shown here it is possible to contemplate the outstanding predicates of her poetics, impregnated with texture, density, movement, full of fiery colors, elements of nature and drama.

The artist defines her work as a ritualistic photography, where she elaborates the composition of languages, scenes - based on indigenous and Afro-diasporic cosmologies, spiritualities and perspectives. Critical appraisals of her production tend to consider it as a photoperformance. What seems to me not to be able to fix the density of what Laryssa does, especially because the artist does not launch an interpretation over a fact or a situation, she confabulates/fantasizes. Therefore, I suggest the concept of visual confabulation to define her practice.

Confabulation, as a concept, is a cognitive phenomenon in which memory loss is rewarded by the invention of false memories without the intention of deluding, or as the “result of the possibility of (artificial) restoration of memories and forgettings.” The same procedure of inversion & subversion between reality and simulation - history and fiction - is what Laryssa applies in her works. After all, as she herself quotes, if the very idea of Brazil is a creation of colonialism, why are her photos considered to be a piece of fiction? In this sense, it is about “transforming things, inventing another reality that is not this Cartesian, violent and hierarchical one.”

In this process of visual confabulation, the artist restores as with enchantment, images and memories that were, purposely, removed and repressed from us in the constitution of an idea of a country that was intended to be white and European. Laryssa inscribes with her work other projects of the future and present using photography, which she herself poetically named “as an arrow of communication, of exchange”, as a way of intervening in the world and “making visible what already exists.”

Raquel Barreto
[curator and researcher]



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